11 dezembro 2005

Nobel de Literatura diz que Bush e Blair mentiram


Finalmente alguém se pronuncia mas a mídia pouco divulgou esta notícia de 07 de Dezembro de 2005.

NOBEL DE LITERATURA DIZ QUE BUSH E BLAIR MENTIRAM

O ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 2005, o britânico Harold Pinter, disse que o presidente americano, George W. Bush, e o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, devem ser responsabilizados por "uma enorme tapeçaria de mentiras" a respeito da guerra no Iraque.

O dramaturgo lançou o ataque contra os políticos dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha em seu discurso de agradecimento pelo prêmio, exibido nesta quarta-feira na sede da Academia Sueca em Estocolmo, onde o Nobel foi entregue.

Pinter disse que o presidente Bush e o primeiro-ministro Blair deveriam ser "processados na Corte Criminal Internacional de Justiça". "Mas Bush foi esperto. Ele não ratificou a Corte", disse.

O autor acrescentou que "milhares, senão, milhões" de pessoas nos Estados Unidos estão "enojadas, envergonhadas e enfurecidas" pelas ações do governo.

O discurso de Pinter foi gravado, pois ele foi internado em um hospital da Grã-Bretanha nesta semana e não pôde comparecer à cerimônia.

"Ignorância"

Para o escritor de 75 anos, a maioria dos políticos "está interessada não na verdade, mas no poder e na manutenção do poder".

Harold Pinter afirmou que políticos sentem que é "essencial que as pessoas permaneçam ignorantes, que vivam na ignorância da verdade, mesmo da verdade relativa às suas próprias vidas".

O dramaturgo disse que a justificativa dos Estados Unidos para invadir o Iraque, de que Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa, "não era verdadeira".

"A verdade é totalmente diferente. A verdade tem a ver com a maneira como os Estados Unidos entendem seu papel no mundo e como expressam isso."

Pinter disse que desde a Segunda Guerra Mundial, o governo americano "apoiou e, em muitos casos, produziu todas as ditaduras militares do mundo".

"Eu me refiro à Indonésia, Grécia, Uruguai, Brasil, Paraguai, Haiti, Turquia, Filipinas, Guatemala, El Salvador e, claro,
Chile", acrescentou.


"Carneirinho"

"Você tem que responsabilizar os Estados Unidos. (O país) exerceu uma manipulação cínica do poder no mundo todo, enquanto se disfarçava de força para o bem universal", acrescentou Pinter. Se referindo ao apoio do primeiro-ministro britânico Tony Blair à guerra no Iraque, Pinter falou
da "patética e indiferente" Grã-Bretanha, como "uma ovelhinha andando atrás (dos Estados Unidos)".


O editor de Pinter, Stephen Page, vai aceitar o Prêmio Nobel de Literatura em nome de Pinter no sábado.

Harold Pinter é o autor de peças como Festa de Aniversário e O Inoportuno e de roteiros de cinema como A Mulher do Tenente Francês e O Criado.


Em outubro a Academia Sueca anunciou que Pinter era o ganhador do Nobel de Literatura e do prêmio em dinheiro de US$ 1,3 milhão (cerca de R$ 2,8 milhões).


Fonte: Sítio da BBCBrasil.com
http://www.bbc.co.uk/portuguese/

18 novembro 2005

Soneto de Fidelidade



De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure

(Vinícius de Moraes)

03 outubro 2005

Lenda Árabe



Diz uma linda lenda árabe que dois amigos viajavam pelo deserto e em um determinado ponto da viagem discutiram. O amigo ofendido, sem nada dizer, escreveu na areia:

HOJE, MEU MELHOR AMIGO ME BATEU NO ROSTO.

Seguiram e chegaram a um oásis onde resolveram banhar-se. O que havia sido esbofeteado começou a afogar-se sendo salvo pelo amigo. Ao recuperar-se pegou um estilete e escreveu numa pedra:

HOJE, MEU MELHOR AMIGO SALVOU-ME A VIDA.

Intrigado, o amigo perguntou: Por que depois que te bati, você escreveu na areia e agora que te salvei, escrevestes na pedra? Sorrindo, o outro amigo respondeu: Quando um grande amigo nos ofende, devemos escrever na areia onde o vento do esquecimento e do perdão se encarregam de apagar. Porém quando nos faz algo grandioso, devemos gravar na pedra da memória e do coração; onde vento nenhum do mundo poderá apagar.

20 setembro 2005

Um Pouco de Poesia....


Finalmente escrevi algo depois de muito tempo... Aqui vai:



Prisão Domiciliar
por Sandro Câmara


Estava ele lá.
Jogado no canto da cama,
Sentindo-se coberto de lama,
Esperando uma nuvem passar.

Estava ele lá.
E o medo também estava,
E o pensamento comungava
Mas não conseguia se livrar.

Livrar-se da angústia de outrora,
Livrar-se da sua pena sem custódia
Que se impôs por apenas notar:

Um momento de breve clareza,
Um papel em cima da mesa,
E uma vontade de terminar...

Terminar com a angústia da vida,
Terminar de sangrar a ferida

Para enfim, então, se curar.

16 agosto 2005

DIA DO POETA RECIFENSE! - Homenagem à João Cabral de Melo Neto


Aqui vai uma homenagem pessoal ao grande poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto, nascido na cidade de Recife - PE, no dia 09 de janeiro de 1920, na rua da Jaqueira (depois Leonardo Cavalcanti), segundo filho de Luiz Antônio Cabral de Melo e de Carmem Carneiro-Leão Cabral de Melo. Primo, pelo lado paterno, de Manuel Bandeira e, pelo lado materno, de Gilberto Freyre.



Volta a Pernambuco

Contemplando a maré baixa
nos mangues do Tijipió
lembro a baía de Dublin
que daqui já me lembrou.

Em meio à bacia negra
desta maré quando em cio,
eis a Albufera, Valência,
onde o Recife me surgiu.

As janelas do cais da Aurora,
olhos compridos, vadios,
incansáveis, como em Chelsea,
vêem rio substituir rio.

E essas várzeas de Tiuma
com seus estendais de cana
vêm devolver-me os trigais
de Guadalajara, Espanha.
Mas as lajes da cidade
não em devolvem só uma,
nem foi uma só cidade
que me lembrou destas ruas.

As cidades se parecem
nas pedras do calçamento
das ruas artérias regando
faces de vário cimento,

Por onde iguais procissões
do trabalho, sem andor,
vão levar o seu produto
aos mercados do suor.

Todas lembravam o Recife,
este em todas se situa,
em todas em que é um crime
para o povo estar na rua,

Em todas em que esse crime,
traço comum que surpreendo,
pôs nódoas de vida humana
nas pedras do pavimento.

(Paisagens com figuras, 1954/1955)

17 julho 2005

SOLUÇÕES PARA PAZ



Aqui vai um texto muito apropriado de um praticante chamado Cláudio Miklos (Tam Hao Van) sobre a paz.


Soluções para a Paz
Tam Hao Van, 2549 a.B. – Julho 2005


Semanas após o atentado de 11 de setembro, ainda sob o impacto da extrema força simbólica (além do sentimento de tristeza pelas perdas humanas) que aquele evento demonstrava, escrevi um ensaio
(“Por um pouco de Humanidade”) onde procurava argumentar a favor de uma visão ais cuidadosa sobre quais seriam os reais fundamentos das ações de terror, ódio e crueldade no mundo. Fiz o artigo em parte devido a estar lendo um certo número de argumentos de pessoas que procuravam sustentar a opinião um tanto comum de que o ato terrorista (ou qualquer ato violento) direcionado para países ricos seria um ato abominável, mas justificado pelo fato de que estes mesmos países foram e ainda são artífices de terrorismos ainda mais insidiosos e abrangentes. Enfim, era a velha lógica de que um ato pode ser justificado por outro.

Esta é uma abordagem comum entre pessoas com uma percepção social basicamente centrada apenas no contexto sócio-político. Não afirmo que seja uma abordagem ilícita, nem mesmo que seja uma abordagem errada. Entretanto, falta aos divulgadores desta visão de mundo o senso de que tal posição não difere, em essência, das posições radicais. Ambas interpretam o mundo sob a
ótica das circunstancias gerais, e ambas justificam vários aspectos dos eventos sociais e políticos com argumentos simplesmente sociais e políticos – a questão fundamentalíssima da Consciência ou percepção correta da existência fica de fora, permanece apenas uma generalização racional. E graças a esta generalização, governos e grupos indiscriminadamente desenvolvem suas convicções políticas, e cometem erros trágicos.

O mundo continuou após aquele dia em setembro de 2001, embora eu deva admitir que à época imaginei que o abalo histórico seria sentido pelas sociedades modernas, e que de algum modo as lições de consciência seria percebidas finalmente também no âmbito sócio-cultural – e não apenas, como tem sempre sido há milênios, no âmbito contemplativo individual. Hoje, ao ver mais uma vez a tragédia humana se desenrolar diante de meus olhos através do atentado em Londres e das dolorosas mortes de 18 crianças no Iraque, percebo definitivamente que as soluções não serão encontradas nas políticas governamentais, não serão encontradas nem mesmo nas políticas de grupos, ONGs, religiões ou partidos. Eu já havia admitido isso para mim mesmo muito antes, mas há um aspecto assustadoramente simbólico na escalada de ações globais de guerra e extermínio ocorrendo nestes primeiros anos do século XXI, e que tem me chamado muito a atenção.

Imaginou-se que o mundo mudaria. E ele mudou. Mas infelizmente a mudança foi na direção do
recrudescimento das ignorâncias e das visões diferenciadoras, partidas e partidárias, dos homens e mulheres que ainda não são capazes de superar a convicção de que o mundo “correto” se constrói sobre os alicerces das atitudes duras e revoltadas. As atrocidades continuam, crianças morrem nos guetos e favelas, massacres ocorrem em Darfur, Iraque e Madri. O Homem continua a predar o Homem, em um contínuo movimento de conflitos. A espiral de ódio profundo (não pensem que os atos frios, sejam eles radicais ou políticos, não abrigam em si a energia do ódio) se mantêm em movimento, ceifando vidas indiscriminadamente. Mas tudo está me parecendo mais simbólico, sinto uma mensagem criptográfica aqui. Não pretendendo mistificar os fatos, apenas reconheço uma linguagem sutil, um rumor indefinível, murmurando um alerta urgente.

Fim dos tempos? Isso não é possível; os caminhos e os dias não têm fim, apenas podem ser mais serenos ou mais inquietantes, ou podem incluir a raça humana ou prescindir dela... o que ocorre a meu ver é o crime da repetição. É interessante perceber que a ação violenta justifica o discurso de combate a ela através de soluções de guerra. Diz-se que estamos em uma guerra; não estamos em
guerra, estamos em um ciclo de repetição. Repetimos incessantemente o discurso das diferenças, e criamos soluções de guerra. A verdadeira guerra ocorre nas mentes e nos corações, mas ela já existe muito, muito antes disso tudo estar acontecendo.

Ouço opiniões, análises de especialistas; leio mensagens de repúdio e apoio aos atos fanáticos. Fico pensando: como é possível que a humanidade seja tão perdida em opiniões divergentes? O que nos
falta para concordarmos mais? É óbvio que o universo político, social e religioso está entulhado de orgulhos, vaidades, manipulações e enganos. É óbvio também que os homens e mulheres que estão no centro do poder (instituído ou marginal) no mundo não são pessoas flexíveis e abertas ao diálogo; elas estão no poder justamente porque souberam impor seus modelos de ação aos grupos humanos.

Mas o aspecto mais interessante, o elemento-chave de todo esse processo de enganos e equívocos político-sociais monumentais está no fato de que virtualmente todas as políticas radicais egoístas e intolerantes que atualmente dominam o mundo são feitas por uma minoria, e não – como poderia parecer – por uma grande maioria. Mas como eu já havia argumentado antes, esta minoria grita
muito alto. Ela possui a determinação típica dos que são ignorantes e consciencialmente embotados: eles são convictos de que estão certos, de que seu modelo é respaldado pela justiça, pela correta religião e pela história. Assim, eles sabem impor-se ao mundo. E o mundo – essas pessoas comuns que somos nós – que não sabe (não tem esta prática) refletir com atenção contemplativa, não
possui ainda o dom da consciência amadurecida pelo exercício da sensibilidade perceptiva; esse mundo que tem sido criado há gerações por pais, professores e outros fomentadores da sociedade igualmente ignorantes de suas possibilidades perceptivas; Esse mundo onde tantos são presa do egoísmo, da banalidade cotidiana e do enfado, subordina-se aos arautos da diferença. Nós nos
subordinamos a eles porque, no sistema social e político em que vivemos, a força decisória reside nas mentes inconscientes e incertas da maioria. A maioria da humanidade não grita, não impõe idéias, não discursa. Esta maioria apenas acorda de manhã e mergulha na luta cotidiana. Ou simplesmente tenta sobreviver a cada momento.

Não deveríamos sustentar esse auto-engano; o mundo possui coisas muito belas, a natureza humana possui um potencial de vida e harmonia poderosíssimo e maravilhoso, mas ainda não sabemos agir em conformidade com a vida. Eu afirmo com veemência que a felicidade real independe de dinheiro ou
poder: ela depende de dignidade e sabedoria. Depende de uma prática cotidiana onde cada indivíduo se esforça para enxergar melhor as ações que realiza, observa com atenção as palavras que saem de sua boca e busca com determinação o melhor caminho. Isso tudo não se faz sozinho; temos que saber apoiar e incentivar uns aos outros. Muitos já fazem isso, mas essa ação ainda pode ser
aprofundada mais em nós mesmos, pois algo está errado...


Se a humanidade possui tanto conhecimento, se aparentemente milhões de pessoas sabem reconhecer a tragédia dos atos de terror e das misérias do mundo, por que ainda sofremos tanta iniqüidade? Por que os governos humanos ainda são corruptos, insensíveis, medíocres em sua visão existencial?


Nós sabemos reconhecer a violência que nos envolve, mas ainda não sabemos reconhecer a falta
de consciência que domina nossos pequenos atos cotidianos. E quando nos chocamos com as bombas estraçalhando corpos ou com os tiros ceifando vidas em assaltos e crimes vários, estamos apenas reagindo de forma egoísta aos atos que nos ameaçam e ameaçam aos nossos entes queridos. Falamos de paz, mas não percebemos quando somos agressivos dentro de nossas casas; falamos de paz, mas não reconhecemos quando tiramos a vida de uma simples formiga na mesa com a displicência típica das mentes distraídas para o correto valor das coisas. Isso parece um exemplo
tolo, completamente inadequado quando estamos refletindo sobre um assunto tão mais importante como a violência terrorista e os crimes de ódio? Não, não é. Esta formiga e sua morte são fundamentais para compreendermos a natureza básica do fanatismo, miséria e ignorância que leva pessoas a explodir a si mesmas, ou matar semelhantes com indiferença e loucura; pois o que fundamenta todo ato no mundo de intolerância, indiferença, displicência e crueldade – maior ou menor,
contra todos os seres – é o egoísmo, a falta de compreensão e de clareza mental.

Este é um processo antigo, perpetuado por gerações de pessoas ainda inconscientes de si mesmas, mas ainda assim passível de ser superado e curado pelas gerações futuras. Para isso faz-se necessário que saibamos agir em conformidade com as ações saudáveis baseadas em um exercício
contemplativo, meditativo, dinâmico e atuante.

Quais são as soluções para a paz? No que diz respeito aos atos de fanatismo e terror, aos atos de corrupção, aos atos de crueldade e crime, as soluções tem como base o fim da espiral de repetição dos atos diferenciadores e banais que dominam as mentes no mundo atual. Existe uma frase muito repetida em nossa cultura brasileira: “toda unanimidade é burra”. As pessoas usam esta frase para
justificar a idéia de que a diversidade de opiniões é salutar. Concordo que a reflexão e a diversidade é muito saudável, mas na verdade o que esta frase expõe não é o respeito às distinções naturais da vida, mas a repressão à concordância saudável em meio às diferenças. Eu prefiro criar outra frase: “apenas a unanimidade inconsciente é burra”. Pois é esta falsa unanimidade, aquela baseada na “burrice” territorialista dos grupos fechados que se acham detentores da verdade, que faz bombas e vítimas. Na verdade, a idéia de unanimidade é apenas relativa. Afinal, somos “unânimes” apenas quando
concordamos como grupo; mas todo grupo, por maior que seja, ainda é apenas isso: uma parte do todo. Portanto, a humanidade ainda não sabe realmente o que é a unanimidade.

Mas a paz será alcançada através justamente da unanimidade ampla, universal e irrestrita. O destino saudável do mundo repousa na capacidade de concordância, e a solução para a miséria mental humana está na batalha constante de todos nós para desanuviar nossas mentes das ignorâncias
aparentemente desprezíveis, de forma a aprendermos a concordar mais entre nós. Não acredito em soluções coletivas feitas por indivíduos inconscientes de si mesmos; elas simplesmente são impossíveis de serem realmente eficientes a médio e longo prazo. Todos os modelos políticos humanos atuais são baseados neste trágico engano. Nunca, jamais, a questão de consciência correta foi debatida nos governos, nas reuniões partidárias, nos encontros políticos. Mas cada vez mais
se aproxima o dia em que este tema terá forçosamente de ser visto com seriedade.

Enquanto isso, amigos, vamos continuar os nossos próprios esforços de caminhar, passo a passo, em direção à paz interior. Agindo assim pavimentaremos o Grande Caminho da humanidade o qual conduzirá o mundo, também passo a passo, à paz definitiva.

Isso é possível. Devemos confiar, e praticar todos os dias.

15 julho 2005

Alma de Pessoa

Para começar bem, uma poesia do mestre Fernando Pessoa:


NÃO SEI QUANTAS ALMAS
TENHO

Fernando Pessoa

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.

Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu?"
Deus sabe, porque o escreveu.

GÊNESIS CALEIDOSCÓPICA


Bem, é aqui que volto a fazer meu blog.

Provavelmente, de postagens esparsas, pois não sou de fazer do blog um diário. No meu blog anterior, colocava alguns textos interessantes, umas poesias (minhas e dos outros) e por aí vai... Sigo nesta tendência, colocando algumas reflexões sobre a vida e o mundo que, de repente, podem dizer algo para um dos bilhões de seres viventes deste planeta. Ou não. :)

O nome do blog vem de CALIDOSCÓPIO ou, como conheço, CALEIDOSCÓPIO que (depois de uma ajuda do pai-dos-burros) descobri que vem do grego kalós 'belo' + eîdos 'forma' + -skopeîn 'olhar'. Algo como "uma bela forma de olhar"...

Ainda com a ajudinha do Houaiss, temos:



calidoscópio (Datação: 1844 MinRJ nº21 p665)
substantivo masculino


1 artefato óptico que consiste num pequeno tubo cilíndrico no fundo do qual há pequenos pedaços coloridos de vidro ou de outro material, cuja imagem é refletida por espelhos dispostos ao longo do tubo, de modo que, quando se movimenta o tubo ou esses pedaços, formam-se imagens coloridas múltiplas, em arranjos simétricos

2 Derivação: por extensão de sentido.
artefato semelhante e que emprega o mesmo princípio óptico de reflexão, no qual o jogo ou a combinação de imagens se produz por reflexos de objetos exteriores ao tubo

3 Derivação: sentido figurado.
conjunto de objetos, cores, formas etc. que formam imagens em constante mutação
Ex.: aquele filme de ação parecia mais um c.

4 sucessão vertiginosa, cambiante, de ações, sensações etc.
Obs.: f. não pref. e mais us.: caleidoscópio
Ex.: a história da nossa fuga foi um c.


Desta forma, tento colocar aqui, com toda a virtualidade que é um blog, as múltiplas visões deste mundo que passam pela mente deste indivíduo que vos escreve. (Isto é, se alguma alma-viva estiver lendo isto aqui, né? :P)

É isto.

Um abraço e

Inté Mai