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06 setembro 2011
23 março 2011
20 outubro 2009
No meio do caminho, a FreePorto
Encontro literário às avessas
Publicada no dia 13 de outubro, na Folha de Pernambuco.
Por Mônica Melo
Escritores tresloucados, oficinas literárias às avessas, teatro, música, muita farra e, claro, polêmica. É com essa bagagem que aporta na capital pernambucana, entre os dias 6 e 8 de novembro, a FreePorto, Festa Literária do Recife. Iniciativa do grupo Urros Masculinos, o irreverente evento, a começar pelo nome (uma referência à Fliporto), irá se instalar no Bairro do Recife
De acordo com o contista Artur Rogério, um dos integrantes do Urros, a realização da FreePorto surgiu do desejo do grupo em publicizar, de forma imediata e pujante, o que ele, o escritor Bruno Piffardini e o poeta Wellington de Melo pensam sobre toda essa multiplicação de festas literárias, bienais e “espasmos flipianos”, considerados por Artur parte relevante no processo de promoção de velhos e novos autores. “Apesar da aparente ironia em ‘espasmos flipianos’, não vemos essas festas como algo essencialmente negativo. Particularmente, me sinto privilegiado de viver e trabalhar neste instante histórico. São importantíssimas na mesma medida em que são ridículas todas essas festas. E são interessantes por isso”, comenta.
Superadas as dificuldades financeiras, a primeira edição do evento contará com uma programação “sarapatel”, a partir da participação de escritores inusitados e realização de oficinas no mínimo curiosas. O escritor Pedro Américo de Farias, por exemplo, irá ministrar a off-cina “Como amarrar o cadarço em pé”. Já a “Off-cina de caipirinha” será encabeçada pelo escritor Valmir Jordão. “O diferencial da FreePorto é a nossa produção e revisão da ideia do que seja uma festa literária, com atenção voltada à festa mesmo e não a debates, muitas vezes lindíssimos, mas que talvez coubessem mais no auditório do Centro de Artes e Comunicação da UFPE”, acredita.
O escritor Marcelino Freire, um dos convidados da festa, reverencia a proposta diferenciada da FreePorto. “Os meninos do Urros vêm para balançar a cena, dar gás, fugir do “oficioso”, do “naftaloso”, da cultura chapa-branca. A Free é um evento que vem para fazer história em Pernambuco. Chega de caviar e lagosta, queremos literatura da boa e discussão calorosa. Enquanto os outros fazem festa com um milhão, os meninos fazem a FreePorto com humilhação”, diz o escritor, com a propriedade de quem organiza, há quatro anos, a Balada Literária, em São Paulo. Para ele, o vigor, o frescor e a irreverência do evento consistem no grande mérito da FreePorto. “Penso que o que empaca, em boa parte, a literatura feita em Pernambuco é o excesso de gravata, de solenidade, de José Sarney, Glória Maria, de gente que vem falar de literatura sem nenhuma graça, sem pulsação”, defende Marcelino.
Convidados
A abertura da FreePorto – Festa Literária do Recife no dia 6 de novembro contará com a presença de Marcelino Freire, Claudio Willer, Ron Whiteread, Lucila Nogueira, Raimundo Carrero, entre outros. Para o sábado, está programada a participação de Santiago Nazarian, Ivana Arruda Leite, Jomard Muniz de Brito e Valmir Jordão. A poetisa Cida Pedrosa, Raimundo Moraes, Pedro Américo de Farias, Cristhiano Aguiar, Samuca Santos e Biagio figuram entre os convidados da festa.
Urros
O grupo literário Urros surgiu em 2008 na forma de brincadeira com as meninas do Vozes Femininas: Silvana Menezes, Mariane Bigio, Susana Moraes e Cida Pedrosa. “Como um ‘contraponto’ à proposta das participantes do Vozes, criamos o nosso grupo de ‘escritores machos’”, explica o contista Artur Rogério, que atua no grupo junto ao escritor Bruno Piffardini e o poeta Wellington de Melo.
Conforme Artur, a ideia original consistia em promover apresentações literárias. A empolgação foi tanta que eles passaram a se dedicar à produção de eventos, como o Primeiro Leilão de manuscritos e originais de escritores em Pernambuco, além de uma flashmob destinada a homenagear o poeta Manuel Bandeira. A segunda flashmob homenageou Carlos Drummond de Andrade durante a sétima edição da Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, como prévia da FreePorto.
ACESSE O LINK DO FREEPORTO NOS MEUS FAVORITOS!!!
14 abril 2009
Com uma Câmera - Um Documentário Experimental de Valentina Homem
Assista e Vote:
http://www.teladigital.org.br/templates/Player.aspx?contentId=3991&id=0&secao=1
A Vó - Um Documentário de Valentina Homem
Assista e Vote:
http://www.teladigital.org.br/templates/Player.aspx?contentId=4408&id=0&secao=1
05 abril 2009
HOPE or R.I.P. (ou A Pedra Fundamental)

(por Sandro Câmara)
Tem dias que a gente se sente pedra.
Pesada por dentro e intransponível por fora.
Mas, breve, a vida em nós se faz presente,
relembrando-nos a natureza própria, que é nossa,
recheada de sentimentos e fragilidades,
que nos tornam bichos novamente,
racional e evoluído por mero antropocentrismo idiota.
E, neste centro, onde estamos por auto-sugestão,
é que a tempestade da nossa caótica evolução
não nos deixa esquecer que toda esta velocidade,
esta que reclamamos ser da terra e não nossa,
é o ritmo (igualmente auto-imposto) da transformação
que a humanidade mais necessita mas, paradoxalmente,
mais corre, justamente por ser o cerne da questão:
para que correr tanto para uma linha de chegada
que aparenta, concretamente, ser a nossa extinção?
O que qualquer lucro ou percentual significará se,
simplesmente, não estivermos mais aqui para aproveitar?
Como as espécies que nos sucederão
terão condições de nos observar?
Como uma espécie fisiologicamente bem evoluída
(com direito a polegar opositor e um belo
telencéfalo altamente desenvolvido),
com um potencial de criação e execução maravilhoso,
foi capaz de antecipar sua destruição
por pura ignorância, por um real apego e
um inevitável desejo de não se importar
com o equilíbrio do planeta quando
tinha total condição de fazê-lo?
29 março 2009
a verdade de outra pessoa não está no que ela te revela, mas naquilo que não pode revelar-te. portanto, se quiseres compreendê-la, não escute o que ela diz, mas antes, o que ela não diz.(kahlil gibran)
permite descobrir o outro, como forma de descobrir a si mesmo: o tempo dos descobrimentos ainda não terminou. continuemos descobrindo a nós mesmos.(josé saramago)
09 março 2009
Uma música que seja

in "Poesia completa e prosa: "A lua de Montevidéu" "
05 março 2009
Budismo moderno
por Augusto dos AnjosTome, Dr., esta tesoura, e... corte
Minha singularíssima pessoa.
Que importa a mim que a bicharia roa
Todo o meu coração, depois da morte?!
Ah! Um urubu pousou na minha sorte!
Também, das diatomáceas da lagoa
A criptógama cápsula se esbroa
Ao contato de bronca destra forte!
Dissolva-se, portanto, minha vida
Igualmente a uma célula caída
Na aberração de um óvulo infecundo;
Mas o agregado abstrato das saudades
Fique batendo nas perpétuas grades
Do último verso que eu fizer no mundo!
28 fevereiro 2009
Místico

(por Vinícius de Moraes)
O ar está cheio de murmúrios misteriosos
E na névoa clara das coisas há um vago sentido de espiritualização…
Tudo está cheio de ruídos sonolentos
Que vêm do céu, que vêm do chão
E que esmagam o infinito do meu desespero.
Através do tenuíssimo de névoa que o céu cobre
Eu sinto a luz desesperadamente
Bater no fosco da bruma que a suspende.
As grandes nuvens brancas e paradas –
Suspensas e paradas
Como aves solícitas de luz –
Ritmam interiormente o movimento da luz:
Dão ao lago do céu
A beleza plácida dos grandes blocos de gelo.
No olhar aberto que eu ponho nas coisas do alto
Há todo um amor à divindade.
No coração aberto que eu tenho para as coisas do alto
Há todo um amor ao mundo.
No espírito que eu tenho embebido das coisas do alto
Há toda uma compreensão.
Almas que povoais o caminho de luz
Que, longas, passeais nas noites lindas
Que andais suspensas a caminhar no sentido da luz
O que buscais, almas irmãs da minha?
Por que vos arrastais dentro da noite murmurosa
Com os vossos braços longos em atitude de êxtase?
Vedes alguma coisa
Que esta luz que me ofusca esconde à minha visão?
Sentis alguma coisa
Que eu não sinta talvez?
Por que as vossas mãos de nuvem e névoa
Se espalmam na suprema adoração?
É o castigo, talvez?
Eu já de há muito tempo vos espio
Na vossa estranha caminhada.
Como quisera estar entre o vosso cortejo
Para viver entre vós a minha vida humana...
Talvez, unido a vós, solto por entre vós
Eu pudesse quebrar os grilhões que vos prendem...
Sou bem melhor que vós, almas acorrentadas
Porque eu também estou acorrentado
E nem vos passa, talvez, a idéia do auxílio.
Eu estou acorrentado à noite murmurosa
E não me libertais...
Sou bem melhor que vós, almas cheias de humildade.
Solta ao mundo, a minha alma jamais irá viver convosco.
Eu sei que ela já tem o seu lugar
Bem junto ao trono da divindade
Para a verdadeira adoração.
Tem o lugar dos escolhidos
Dos que sofreram, dos que viveram e dos que compreenderam.
Rio de Janeiro, 1933 in O caminho para a distância
in Poesia completa e prosa: "O sentimento do sublime"
Sobre Macaquices, Jaulas & Florestas

Macaco, curioso que é,
é bicho de se notar
pela inteligência que tem,
pela graça que faz,
pela destreza dos movimentos,
pelos olhares curiosos que tem e
também por aqueles que desperta...
Um dia, um macaco, curioso que é,
estava mexendo nas folhagens que se via cercado,
olhando para os lados, depois de haver acordado,
e perceber que não possuia mais
um horizonte ilimitado que outrora tinha.
Balançando-se de galho em galho,
chegou até onde podia, e,
pra sua surpresa, notou barras de ferro,
onde outrora não havia,
e se viu numa mistura de medo e raiva,
pois por aquilo ele não pedira, mas,
independente disso, era assim que se encontrava.
Depois, curioso que é,
resolveu circular pelo lugar,
e diferente das matas onde se via livre,
lá encontrou alimento posto no lugar,
água para beber quando sede tivesse,
e assim, a falta da liberdade incomodou menos...
Pelo menos por um tempo...
Tempo esse que se viu um símio gordo e estranho,
bem diferente daquele que vagava livre pela mata...
E foi aí que a Liberdade brilhou novamente
nos olhos daquele ser que era inteligente,
apesar da falta do polegar opositor que lhe faltava...
Numa boa oportunidade,
conseguiu escapar da jaula que o prendia,
sentindo um gosto de vida à boca,
gosta esse que a tempos não sentia...
Sorrisos depois, estava bem próximo à uma floresta,
não a sua de origem, mas ao menos era uma floresta, ora...
E não é que, neste caminho, cruzou novamente por uma jaula?
E não é que passou em sua mente a lembrança de não precisar ter
nem trabalho de buscar alimento ou segurança pra passar a noite?
Apenas no caminho para a floresta, para uma nova Liberdade,
aquele macaco já não era o mesmo...
Já estava muito diferente
daquele símio desconsolado e gordo da jaula de outrora...
Mas e agora?
Um desconhecida floresta em Liberdade ou
uma desconhecida jaula preso por vontade?
Macaco, curioso que é,
é bicho de se notar
pela inteligência que tem,
pela graça que faz,
pela destreza dos movimentos,
pelos olhares curiosos que tem e
também por aqueles que desperta...
(por Sandro Câmara)
27 fevereiro 2009
AS INDAGAÇÕES

A poesia não se entrega
a quem a define.
A alma é
essa coisa
que nos pergunta
se a alma existe.
Mas o que quer dizer este poema?
- perguntou-me alarmada a boa senhora.
E o que quer dizer uma nuvem?
- respondi triunfante.
Uma nuvem
- disse ela -
umas vezes quer dizer chuva,
outras vezes bom tempo...
Eu passarinho!
(Mário Quintana - recortes)
02 maio 2008
Dia de Mudança
Fiz o voto de Bodhisattva, que quer dizer mais ou menos isso:
Esta cerimônia de voto de Bodhisattva vem da tradição de Nagarjuna conhecida como " Linhagem da Visão Profunda", sendo uma oportunidade rara de receber tal voto neste contexto. O voto do Bodhisattva enfatiza principalmente observar a bodhichitta, ou a mente da iluminação. A bodhichitta é a atitude mental de tomar a responsabilidade de trazer felicidade e iluminação para todos os seres, com amor e compaixão livre de qualquer rastro de interesse egoísta, assim como colocar isto em prática. Então, aqui não estamos apenas deixando de prejudicar os outros, mas nos dedicando para servi-los.
(Explicação extraído do sítio http://www.kttbrasil.org/kkrktt.html)
A sensação é indiscritível.
É uma grande responsabilidade, com compromissos sérios mas é por demais auspicioso e feliz iniciar esta trilha que, creio ter iniciado em dias que não lembro, mas que, ao menos nesta vida, oficialmente começou dia 02 de Maio de 2008.
Foi indiscritível também sentir as bençãos de Buda Sakiamuni e muitos outros mestres, representados por suas relíquias, que chegaram ao Brasil pelo Projeto Maitréia (para saber mais, acesse www.reliquias.caminhodomeio.org/)
Para saber mais sobre Budismo, onde procurar Mestres e etc, acesse:
http://bodisatva.org/
http://www.chagdud.org/
http://www.caminhodomeio.org/
Vale a pena! :)
Que todos os seres possam se beneficiar!
01 janeiro 2006
Visão do Vínícius de Moraes sobre um Ano Novo
E foi-se o ano – ano bissexto arrenegado! – ano ruim, ano safado, ano assim nunca se viu! Levou Aníbal, levou Antônio Maria, levou tanta poesia com Cecília que partiu... Levou Ari e levou Álvaro Moreyra (nunca vi ano bissexto pra fazer tanta besteira!). E não contente – eta aninho contundente! – ainda deixa pra semente tanto estorvo pro Brasil!...Ano pior só fazendo de encomenda: depois da morte de Kennedy, até Kruchev caiu. De modo que se escutarem um barulhão, não se assustem, é nada não... foi a Bomba que explodiu.
Mas já se foi, já se mandou... – valha-nos isso! – ano chato, ano difícil, ano contraproducente. E isso porque além de todo esse estrupício, deu um estranho panarício no dedo de muita gente.
Pelo meu lado eu até não digo nada: me casei com a minha amada, fui com ela pra Paris. Fiz meus sambinhas, tenho uns planos de cinema e a Garota de lpanema me deixou muito feliz. E se a saúde não fizer nenhum forfait, este Ano Novo até que vai ser muito fagueiro: vou tacar peito, vou fazer muito poema, e a Garota de Ipanema vai ser mãe em fevereiro. Pois tem um samba feito por mim e por Baden que – não sei, vocês aguardem... – tem um balanço legal; e que se for trabalhado pelo Ciro, aposto vai ser um tiro: vai estourar no carnaval!
Pois é, meus filhos, aí está 65... Vai entar tudo nos trilhos, como diz Roberto Campos. Se não entrar, resta a Barra da Tijuca e uma garrafa de uca enquanto se pescam uns pampos. Resta saber que no Quarto Centenário o carioca, esse otário, vai ter água pra chuchu. Pois tem morrido um bocado de operário pra aliviar nosso calvário com a adutora do Guandu. Resta pensar na folia de Rei Momo – carnaval de quem não come resolve qualquer problema. Quem ficar vivo, segundo a lei do mais forte, esteve mais perto da morte que mocinho de cinema.
De qualquer modo resta o tomara-que-seja; resta o que a gente deseja, como diz o amigo Guima. E a esperança é uma mulher tão à mão, que é até ingratidão a gente não dar-lhe em cima.
Por isso, amigos, que este ano recém-nato, ao contrário do transacto, lhes chegue de fraldas limpas; e vocês tenham um milhão de coisas boas e possam ver suas pessoas num espelho mais bonito.
Que vocês tenham mais Jobim e mais Caymmi; mais paixão e menos crime; mais Zé Kéti e Opinião. E Zicartola continue sua escola com essa branquinha pachola que se chama Nara Leão.
Pois a verdade é que tudo se renova: bossa velha fica nova, o que eu acho muito bem. Só não renova quem já está com o pé na cova, quem não cria e não desova, quem não gosta de ninguém.
Que vocês tenham mais Drummond e mais Bandeira, e eles deixem de leseira e venham mais para a rua. E que Schmidt, em lugar de dar palpite, venda com mais apetite no Disco da velha Lua.
Que João Gilberto continue longe e perto, cantando pelo deserto seu canto de solidão. Canto que vende para a causa brasileira muito mais que o Bemoreira, o Rei da Voz e o Dragão.
Que a linda Astrud nos mande mais amiúde, de Nova York ou Hollywood, os ecos de sua voz; voz que faz mais por nossos pobres Cr$ do que os trustes estrangeiros que proliferam entre nós.
Que esses meninos tão bons do Cinema Novo mostrem mais ao nosso povo sua força e seu poder; e que através da mensagem de seus filmes evitem maiores crimes que inda podem acontecer.
Que a Bardotzinha volte sempre para Búzios e quando queira use e abuse dos nossos encantos mil: ou sejam os mares, os solstícios, os luares, os poentes e os madrugares que dão sopa no Brasil. Porque em matéria de exploração estrangeira, é a única verdadeira, que toma mas também dá. E que ela seja ao lado de seu Zaguri um truste que sempre dure na terra do sabiá.
Que Pixinguinha, já curado seu enfarte, nos dê mais de sua arte de sambista e de "chorão". E essa figura chamada Ciro Monteiro balance o Brasil inteiro com a voz do seu coração.
Que nasçam poemas, nasçam canções, nasçam filhos; e se terminem os exílios e se exerça mais perdão. E brotem flores das dragonas militares e não mais se assustem os lares com esses tiros de canhão. Que todos se unam, se protejam, apertem os cintos; se reúnam nos recintos com esperança brasileira. E que se dê de comer a quem não come, porque o povo passa fome: e a Fome é má conselheira...
Que o Rei Pelé faça gols por toda parte; e Di Cavalcanti, arte; e o Congresso, leis honestas. E Rubem Braga escreva crônicas lindas; e o Poder crie mais Dimas do que tem criado Gestas.
E – que diabo! – que eles voltem, meus pareceiros... Estão todos no estrangeiro. Que fazem vocês aí? Voltem depressa, venham logo para casa, que é pra gente mandar brasa ao som do Quarteto em Cy.E finalmente que eu, pequeno mas decente, siga sempre para a frente com meu amor ao meu lado. E ela me dê no mais próximo presente, o presente de um futuro sem as dores do passado.
01.01.1965
in Para uma menina com uma flor (crônicas)
in Poesia completa e prosa: "Para uma menina com uma flor"
11 dezembro 2005
Nobel de Literatura diz que Bush e Blair mentiram

Finalmente alguém se pronuncia mas a mídia pouco divulgou esta notícia de 07 de Dezembro de 2005.
NOBEL DE LITERATURA DIZ QUE BUSH E BLAIR MENTIRAM
O ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 2005, o britânico Harold Pinter, disse que o presidente americano, George W. Bush, e o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, devem ser responsabilizados por "uma enorme tapeçaria de mentiras" a respeito da guerra no Iraque.
O dramaturgo lançou o ataque contra os políticos dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha em seu discurso de agradecimento pelo prêmio, exibido nesta quarta-feira na sede da Academia Sueca em Estocolmo, onde o Nobel foi entregue.
Pinter disse que o presidente Bush e o primeiro-ministro Blair deveriam ser "processados na Corte Criminal Internacional de Justiça". "Mas Bush foi esperto. Ele não ratificou a Corte", disse.
O autor acrescentou que "milhares, senão, milhões" de pessoas nos Estados Unidos estão "enojadas, envergonhadas e enfurecidas" pelas ações do governo.
O discurso de Pinter foi gravado, pois ele foi internado em um hospital da Grã-Bretanha nesta semana e não pôde comparecer à cerimônia.
"Ignorância"
Para o escritor de 75 anos, a maioria dos políticos "está interessada não na verdade, mas no poder e na manutenção do poder".
Harold Pinter afirmou que políticos sentem que é "essencial que as pessoas permaneçam ignorantes, que vivam na ignorância da verdade, mesmo da verdade relativa às suas próprias vidas".
O dramaturgo disse que a justificativa dos Estados Unidos para invadir o Iraque, de que Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa, "não era verdadeira".
"A verdade é totalmente diferente. A verdade tem a ver com a maneira como os Estados Unidos entendem seu papel no mundo e como expressam isso."
Pinter disse que desde a Segunda Guerra Mundial, o governo americano "apoiou e, em muitos casos, produziu todas as ditaduras militares do mundo".
"Eu me refiro à Indonésia, Grécia, Uruguai, Brasil, Paraguai, Haiti, Turquia, Filipinas, Guatemala, El Salvador e, claro,
Chile", acrescentou.
"Carneirinho"
"Você tem que responsabilizar os Estados Unidos. (O país) exerceu uma manipulação cínica do poder no mundo todo, enquanto se disfarçava de força para o bem universal", acrescentou Pinter. Se referindo ao apoio do primeiro-ministro britânico Tony Blair à guerra no Iraque, Pinter falou
da "patética e indiferente" Grã-Bretanha, como "uma ovelhinha andando atrás (dos Estados Unidos)".
O editor de Pinter, Stephen Page, vai aceitar o Prêmio Nobel de Literatura em nome de Pinter no sábado.
Harold Pinter é o autor de peças como Festa de Aniversário e O Inoportuno e de roteiros de cinema como A Mulher do Tenente Francês e O Criado.
Em outubro a Academia Sueca anunciou que Pinter era o ganhador do Nobel de Literatura e do prêmio em dinheiro de US$ 1,3 milhão (cerca de R$ 2,8 milhões).
Fonte: Sítio da BBCBrasil.com
http://www.bbc.co.uk/portuguese/
18 novembro 2005
Soneto de Fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure
(Vinícius de Moraes)
03 outubro 2005
Lenda Árabe

Diz uma linda lenda árabe que dois amigos viajavam pelo deserto e em um determinado ponto da viagem discutiram. O amigo ofendido, sem nada dizer, escreveu na areia:
HOJE, MEU MELHOR AMIGO ME BATEU NO ROSTO.
Seguiram e chegaram a um oásis onde resolveram banhar-se. O que havia sido esbofeteado começou a afogar-se sendo salvo pelo amigo. Ao recuperar-se pegou um estilete e escreveu numa pedra:
HOJE, MEU MELHOR AMIGO SALVOU-ME A VIDA.
Intrigado, o amigo perguntou: Por que depois que te bati, você escreveu na areia e agora que te salvei, escrevestes na pedra? Sorrindo, o outro amigo respondeu: Quando um grande amigo nos ofende, devemos escrever na areia onde o vento do esquecimento e do perdão se encarregam de apagar. Porém quando nos faz algo grandioso, devemos gravar na pedra da memória e do coração; onde vento nenhum do mundo poderá apagar.
20 setembro 2005
Um Pouco de Poesia....

Finalmente escrevi algo depois de muito tempo... Aqui vai:
Prisão Domiciliar
por Sandro Câmara
Estava ele lá.
Jogado no canto da cama,
Sentindo-se coberto de lama,
Esperando uma nuvem passar.
Estava ele lá.
E o medo também estava,
E o pensamento comungava
Mas não conseguia se livrar.
Livrar-se da angústia de outrora,
Livrar-se da sua pena sem custódia
Que se impôs por apenas notar:
Um momento de breve clareza,
Um papel em cima da mesa,
E uma vontade de terminar...
Terminar com a angústia da vida,
Terminar de sangrar a ferida
Para enfim, então, se curar.
16 agosto 2005
DIA DO POETA RECIFENSE! - Homenagem à João Cabral de Melo Neto

Aqui vai uma homenagem pessoal ao grande poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto, nascido na cidade de Recife - PE, no dia 09 de janeiro de 1920, na rua da Jaqueira (depois Leonardo Cavalcanti), segundo filho de Luiz Antônio Cabral de Melo e de Carmem Carneiro-Leão Cabral de Melo. Primo, pelo lado paterno, de Manuel Bandeira e, pelo lado materno, de Gilberto Freyre.
Volta a Pernambuco
Contemplando a maré baixa
nos mangues do Tijipió
lembro a baía de Dublin
que daqui já me lembrou.
Em meio à bacia negra
desta maré quando em cio,
eis a Albufera, Valência,
onde o Recife me surgiu.
As janelas do cais da Aurora,
olhos compridos, vadios,
incansáveis, como em Chelsea,
vêem rio substituir rio.
E essas várzeas de Tiuma
com seus estendais de cana
vêm devolver-me os trigais
de Guadalajara, Espanha.
Mas as lajes da cidade
não em devolvem só uma,
nem foi uma só cidade
que me lembrou destas ruas.
As cidades se parecem
nas pedras do calçamento
das ruas artérias regando
faces de vário cimento,
Por onde iguais procissões
do trabalho, sem andor,
vão levar o seu produto
aos mercados do suor.
Todas lembravam o Recife,
este em todas se situa,
em todas em que é um crime
para o povo estar na rua,
Em todas em que esse crime,
traço comum que surpreendo,
pôs nódoas de vida humana
nas pedras do pavimento.
(Paisagens com figuras, 1954/1955)
17 julho 2005
SOLUÇÕES PARA PAZ

Aqui vai um texto muito apropriado de um praticante chamado Cláudio Miklos (Tam Hao Van) sobre a paz.
Soluções para a Paz
Tam Hao Van, 2549 a.B. – Julho 2005
Semanas após o atentado de 11 de setembro, ainda sob o impacto da extrema força simbólica (além do sentimento de tristeza pelas perdas humanas) que aquele evento demonstrava, escrevi um ensaio
(“Por um pouco de Humanidade”) onde procurava argumentar a favor de uma visão ais cuidadosa sobre quais seriam os reais fundamentos das ações de terror, ódio e crueldade no mundo. Fiz o artigo em parte devido a estar lendo um certo número de argumentos de pessoas que procuravam sustentar a opinião um tanto comum de que o ato terrorista (ou qualquer ato violento) direcionado para países ricos seria um ato abominável, mas justificado pelo fato de que estes mesmos países foram e ainda são artífices de terrorismos ainda mais insidiosos e abrangentes. Enfim, era a velha lógica de que um ato pode ser justificado por outro.
Esta é uma abordagem comum entre pessoas com uma percepção social basicamente centrada apenas no contexto sócio-político. Não afirmo que seja uma abordagem ilícita, nem mesmo que seja uma abordagem errada. Entretanto, falta aos divulgadores desta visão de mundo o senso de que tal posição não difere, em essência, das posições radicais. Ambas interpretam o mundo sob a
ótica das circunstancias gerais, e ambas justificam vários aspectos dos eventos sociais e políticos com argumentos simplesmente sociais e políticos – a questão fundamentalíssima da Consciência ou percepção correta da existência fica de fora, permanece apenas uma generalização racional. E graças a esta generalização, governos e grupos indiscriminadamente desenvolvem suas convicções políticas, e cometem erros trágicos.
O mundo continuou após aquele dia em setembro de 2001, embora eu deva admitir que à época imaginei que o abalo histórico seria sentido pelas sociedades modernas, e que de algum modo as lições de consciência seria percebidas finalmente também no âmbito sócio-cultural – e não apenas, como tem sempre sido há milênios, no âmbito contemplativo individual. Hoje, ao ver mais uma vez a tragédia humana se desenrolar diante de meus olhos através do atentado em Londres e das dolorosas mortes de 18 crianças no Iraque, percebo definitivamente que as soluções não serão encontradas nas políticas governamentais, não serão encontradas nem mesmo nas políticas de grupos, ONGs, religiões ou partidos. Eu já havia admitido isso para mim mesmo muito antes, mas há um aspecto assustadoramente simbólico na escalada de ações globais de guerra e extermínio ocorrendo nestes primeiros anos do século XXI, e que tem me chamado muito a atenção.
Imaginou-se que o mundo mudaria. E ele mudou. Mas infelizmente a mudança foi na direção do
recrudescimento das ignorâncias e das visões diferenciadoras, partidas e partidárias, dos homens e mulheres que ainda não são capazes de superar a convicção de que o mundo “correto” se constrói sobre os alicerces das atitudes duras e revoltadas. As atrocidades continuam, crianças morrem nos guetos e favelas, massacres ocorrem em Darfur, Iraque e Madri. O Homem continua a predar o Homem, em um contínuo movimento de conflitos. A espiral de ódio profundo (não pensem que os atos frios, sejam eles radicais ou políticos, não abrigam em si a energia do ódio) se mantêm em movimento, ceifando vidas indiscriminadamente. Mas tudo está me parecendo mais simbólico, sinto uma mensagem criptográfica aqui. Não pretendendo mistificar os fatos, apenas reconheço uma linguagem sutil, um rumor indefinível, murmurando um alerta urgente.
Fim dos tempos? Isso não é possível; os caminhos e os dias não têm fim, apenas podem ser mais serenos ou mais inquietantes, ou podem incluir a raça humana ou prescindir dela... o que ocorre a meu ver é o crime da repetição. É interessante perceber que a ação violenta justifica o discurso de combate a ela através de soluções de guerra. Diz-se que estamos em uma guerra; não estamos em
guerra, estamos em um ciclo de repetição. Repetimos incessantemente o discurso das diferenças, e criamos soluções de guerra. A verdadeira guerra ocorre nas mentes e nos corações, mas ela já existe muito, muito antes disso tudo estar acontecendo.
Ouço opiniões, análises de especialistas; leio mensagens de repúdio e apoio aos atos fanáticos. Fico pensando: como é possível que a humanidade seja tão perdida em opiniões divergentes? O que nos
falta para concordarmos mais? É óbvio que o universo político, social e religioso está entulhado de orgulhos, vaidades, manipulações e enganos. É óbvio também que os homens e mulheres que estão no centro do poder (instituído ou marginal) no mundo não são pessoas flexíveis e abertas ao diálogo; elas estão no poder justamente porque souberam impor seus modelos de ação aos grupos humanos.
Mas o aspecto mais interessante, o elemento-chave de todo esse processo de enganos e equívocos político-sociais monumentais está no fato de que virtualmente todas as políticas radicais egoístas e intolerantes que atualmente dominam o mundo são feitas por uma minoria, e não – como poderia parecer – por uma grande maioria. Mas como eu já havia argumentado antes, esta minoria grita
muito alto. Ela possui a determinação típica dos que são ignorantes e consciencialmente embotados: eles são convictos de que estão certos, de que seu modelo é respaldado pela justiça, pela correta religião e pela história. Assim, eles sabem impor-se ao mundo. E o mundo – essas pessoas comuns que somos nós – que não sabe (não tem esta prática) refletir com atenção contemplativa, não
possui ainda o dom da consciência amadurecida pelo exercício da sensibilidade perceptiva; esse mundo que tem sido criado há gerações por pais, professores e outros fomentadores da sociedade igualmente ignorantes de suas possibilidades perceptivas; Esse mundo onde tantos são presa do egoísmo, da banalidade cotidiana e do enfado, subordina-se aos arautos da diferença. Nós nos
subordinamos a eles porque, no sistema social e político em que vivemos, a força decisória reside nas mentes inconscientes e incertas da maioria. A maioria da humanidade não grita, não impõe idéias, não discursa. Esta maioria apenas acorda de manhã e mergulha na luta cotidiana. Ou simplesmente tenta sobreviver a cada momento.
Não deveríamos sustentar esse auto-engano; o mundo possui coisas muito belas, a natureza humana possui um potencial de vida e harmonia poderosíssimo e maravilhoso, mas ainda não sabemos agir em conformidade com a vida. Eu afirmo com veemência que a felicidade real independe de dinheiro ou
poder: ela depende de dignidade e sabedoria. Depende de uma prática cotidiana onde cada indivíduo se esforça para enxergar melhor as ações que realiza, observa com atenção as palavras que saem de sua boca e busca com determinação o melhor caminho. Isso tudo não se faz sozinho; temos que saber apoiar e incentivar uns aos outros. Muitos já fazem isso, mas essa ação ainda pode ser
aprofundada mais em nós mesmos, pois algo está errado...
Se a humanidade possui tanto conhecimento, se aparentemente milhões de pessoas sabem reconhecer a tragédia dos atos de terror e das misérias do mundo, por que ainda sofremos tanta iniqüidade? Por que os governos humanos ainda são corruptos, insensíveis, medíocres em sua visão existencial?
Nós sabemos reconhecer a violência que nos envolve, mas ainda não sabemos reconhecer a falta
de consciência que domina nossos pequenos atos cotidianos. E quando nos chocamos com as bombas estraçalhando corpos ou com os tiros ceifando vidas em assaltos e crimes vários, estamos apenas reagindo de forma egoísta aos atos que nos ameaçam e ameaçam aos nossos entes queridos. Falamos de paz, mas não percebemos quando somos agressivos dentro de nossas casas; falamos de paz, mas não reconhecemos quando tiramos a vida de uma simples formiga na mesa com a displicência típica das mentes distraídas para o correto valor das coisas. Isso parece um exemplo
tolo, completamente inadequado quando estamos refletindo sobre um assunto tão mais importante como a violência terrorista e os crimes de ódio? Não, não é. Esta formiga e sua morte são fundamentais para compreendermos a natureza básica do fanatismo, miséria e ignorância que leva pessoas a explodir a si mesmas, ou matar semelhantes com indiferença e loucura; pois o que fundamenta todo ato no mundo de intolerância, indiferença, displicência e crueldade – maior ou menor,
contra todos os seres – é o egoísmo, a falta de compreensão e de clareza mental.
Este é um processo antigo, perpetuado por gerações de pessoas ainda inconscientes de si mesmas, mas ainda assim passível de ser superado e curado pelas gerações futuras. Para isso faz-se necessário que saibamos agir em conformidade com as ações saudáveis baseadas em um exercício
contemplativo, meditativo, dinâmico e atuante.
Quais são as soluções para a paz? No que diz respeito aos atos de fanatismo e terror, aos atos de corrupção, aos atos de crueldade e crime, as soluções tem como base o fim da espiral de repetição dos atos diferenciadores e banais que dominam as mentes no mundo atual. Existe uma frase muito repetida em nossa cultura brasileira: “toda unanimidade é burra”. As pessoas usam esta frase para
justificar a idéia de que a diversidade de opiniões é salutar. Concordo que a reflexão e a diversidade é muito saudável, mas na verdade o que esta frase expõe não é o respeito às distinções naturais da vida, mas a repressão à concordância saudável em meio às diferenças. Eu prefiro criar outra frase: “apenas a unanimidade inconsciente é burra”. Pois é esta falsa unanimidade, aquela baseada na “burrice” territorialista dos grupos fechados que se acham detentores da verdade, que faz bombas e vítimas. Na verdade, a idéia de unanimidade é apenas relativa. Afinal, somos “unânimes” apenas quando
concordamos como grupo; mas todo grupo, por maior que seja, ainda é apenas isso: uma parte do todo. Portanto, a humanidade ainda não sabe realmente o que é a unanimidade.
Mas a paz será alcançada através justamente da unanimidade ampla, universal e irrestrita. O destino saudável do mundo repousa na capacidade de concordância, e a solução para a miséria mental humana está na batalha constante de todos nós para desanuviar nossas mentes das ignorâncias
aparentemente desprezíveis, de forma a aprendermos a concordar mais entre nós. Não acredito em soluções coletivas feitas por indivíduos inconscientes de si mesmos; elas simplesmente são impossíveis de serem realmente eficientes a médio e longo prazo. Todos os modelos políticos humanos atuais são baseados neste trágico engano. Nunca, jamais, a questão de consciência correta foi debatida nos governos, nas reuniões partidárias, nos encontros políticos. Mas cada vez mais
se aproxima o dia em que este tema terá forçosamente de ser visto com seriedade.
Enquanto isso, amigos, vamos continuar os nossos próprios esforços de caminhar, passo a passo, em direção à paz interior. Agindo assim pavimentaremos o Grande Caminho da humanidade o qual conduzirá o mundo, também passo a passo, à paz definitiva.
Isso é possível. Devemos confiar, e praticar todos os dias.
15 julho 2005
Alma de Pessoa

NÃO SEI QUANTAS ALMAS
TENHO
Fernando Pessoa
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu?"
Deus sabe, porque o escreveu.
GÊNESIS CALEIDOSCÓPICA

Bem, é aqui que volto a fazer meu blog.
Provavelmente, de postagens esparsas, pois não sou de fazer do blog um diário. No meu blog anterior, colocava alguns textos interessantes, umas poesias (minhas e dos outros) e por aí vai... Sigo nesta tendência, colocando algumas reflexões sobre a vida e o mundo que, de repente, podem dizer algo para um dos bilhões de seres viventes deste planeta. Ou não. :)
O nome do blog vem de CALIDOSCÓPIO ou, como conheço, CALEIDOSCÓPIO que (depois de uma ajuda do pai-dos-burros) descobri que vem do grego kalós 'belo' + eîdos 'forma' + -skopeîn 'olhar'. Algo como "uma bela forma de olhar"...
Ainda com a ajudinha do Houaiss, temos:
calidoscópio (Datação: 1844 MinRJ nº21 p665)
substantivo masculino
1 artefato óptico que consiste num pequeno tubo cilíndrico no fundo do qual há pequenos pedaços coloridos de vidro ou de outro material, cuja imagem é refletida por espelhos dispostos ao longo do tubo, de modo que, quando se movimenta o tubo ou esses pedaços, formam-se imagens coloridas múltiplas, em arranjos simétricos
2 Derivação: por extensão de sentido.
artefato semelhante e que emprega o mesmo princípio óptico de reflexão, no qual o jogo ou a combinação de imagens se produz por reflexos de objetos exteriores ao tubo
3 Derivação: sentido figurado.
conjunto de objetos, cores, formas etc. que formam imagens em constante mutação
Ex.: aquele filme de ação parecia mais um c.
4 sucessão vertiginosa, cambiante, de ações, sensações etc.
Obs.: f. não pref. e mais us.: caleidoscópio
Ex.: a história da nossa fuga foi um c.
Desta forma, tento colocar aqui, com toda a virtualidade que é um blog, as múltiplas visões deste mundo que passam pela mente deste indivíduo que vos escreve. (Isto é, se alguma alma-viva estiver lendo isto aqui, né? :P)
É isto.
Um abraço e
Inté Mai





