
(por Sandro Câmara)
Tem dias que a gente se sente pedra.
Pesada por dentro e intransponível por fora.
Mas, breve, a vida em nós se faz presente,
relembrando-nos a natureza própria, que é nossa,
recheada de sentimentos e fragilidades,
que nos tornam bichos novamente,
racional e evoluído por mero antropocentrismo idiota.
E, neste centro, onde estamos por auto-sugestão,
é que a tempestade da nossa caótica evolução
não nos deixa esquecer que toda esta velocidade,
esta que reclamamos ser da terra e não nossa,
é o ritmo (igualmente auto-imposto) da transformação
que a humanidade mais necessita mas, paradoxalmente,
mais corre, justamente por ser o cerne da questão:
para que correr tanto para uma linha de chegada
que aparenta, concretamente, ser a nossa extinção?
O que qualquer lucro ou percentual significará se,
simplesmente, não estivermos mais aqui para aproveitar?
Como as espécies que nos sucederão
terão condições de nos observar?
Como uma espécie fisiologicamente bem evoluída
(com direito a polegar opositor e um belo
telencéfalo altamente desenvolvido),
com um potencial de criação e execução maravilhoso,
foi capaz de antecipar sua destruição
por pura ignorância, por um real apego e
um inevitável desejo de não se importar
com o equilíbrio do planeta quando
tinha total condição de fazê-lo?
Nenhum comentário:
Postar um comentário