28 fevereiro 2009

Sobre Macaquices, Jaulas & Florestas




Macaco, curioso que é,

é bicho de se notar
pela inteligência que tem,
pela graça que faz,

pela destreza dos movimentos,

pelos olhares curiosos que tem
e
também por aqueles que desperta...


Um dia, um macaco, curioso que é,

estava mexendo nas folhagens que se via cercado,

olhando para os lados, depois de haver acordado,

e perceber que não possuia mais

um horizonte ilimitado que outrora tinha.


Balançando-se de galho em galho,
chegou até onde podia, e,
pra sua surpresa,
notou barras de ferro,
onde outrora não havia,

e se viu numa mistura de medo e raiva,

pois por aquilo ele não pedira, mas,

independente disso, era assim que se encontrava.


Depois, curioso que é,
resolveu circular pelo lugar,
e
diferente das matas onde se via livre,
lá encontrou alimento posto no lugar,
água para beber quando sede tivesse,

e assim, a falta da liberdade incomodou menos...

Pelo menos por um tempo...

Tempo esse que se viu um símio gordo e estranho,

bem diferente daquele que vagava livre pela mata...


E foi aí que a Liberdade brilhou novamente
nos olhos daquele ser que era inteligente,

apesar da falta do polegar opositor que lhe faltava...


Numa boa oportunidade,
conseguiu escapar
da jaula que o prendia,
sentindo um gosto de vida à boca,

gosta esse que a tempos não sentia...


Sorrisos depois, estava bem próximo à uma floresta,

não a sua de origem, mas ao menos era uma floresta, ora...

E não é que, neste caminho, cruzou novamente por uma jaula?

E não é que passou em sua mente a lembrança de não precisar
ter
nem trabalho de buscar alimento ou segurança pra passar a noite?


Apenas no caminho para a floresta, para uma nova Liberdade,

aquele macaco já não era o mesmo...
Já estava muito diferente

daquele símio desconsolado e gordo da jaula de outrora...

Mas e agora?

Um desconhecida floresta em Liberdade ou
uma desconhecida jaula preso por vontade?


Macaco, curioso que é,

é bicho de se notar

pela inteligência que tem,

pela graça que faz,

pela destreza dos movimentos,
pelos olhares curiosos que tem
e
também por aqueles que desperta...




(por Sandro Câmara)

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